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Alguns fatos, mesmo que aparentemente isolados, contribuem para a manutenção da organização social. Catástrofes climáticas, quedas de aeronaves, grandes acidentes rodoviários, enfim, existe uma enorme quantidade de acontecimentos que mobilizam a sociedade quase que completamente.
O último e mais globalizado fato ocorreu no Edifício London na cidade de São Paulo quando uma garota foi atirada do 6º andar. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, os principais responsáveis são o pai, Alexandre Nardoni e a madrasta de Isabella, Ana Carolina Jatobá.
É impressionante a fragilidade existente entre o caos e a sociedade. Uma tênue linha separa os extremos e, dentro desta, encontramos as variações, distúrbios e mutações que compõem um estranho e complexo mundo.
Nossa civilização já experimentou a total ausência de parâmetros sociais que, com o passar dos anos e com a evolução humana, se tornou possível como civilização após guerras catastróficas. Como a idéia de cidadão foi conquistada à duras penas, é necessário o empenho geral para que este título continue se mantendo válido.
O caso da menina Isabella possui vários fatores de aglutinação e comoção social. Por exemplo, o fato de ter sido uma garota de 5 anos. Quantos e quantos pais de família pensaram na possibilidade de aquela criança estirada no chão ser algum de seus filhos? Ou, ainda, quantas pessoas pensaram na injustiça de se tirar a vida de um indivíduo que mal começou a viver?
Diante de questões como estas, a opinião pública já se alvoroça e transfere suas sensações e frustrações para aquele momento, para aquele suposto acidente. E isso ocorre no sentido de se tentar compreender o que houve, e assim cada um, neste momento do caso, já possuía uma opinião a respeito.
Após a constatação de que o fato ocorrera com uma criança de 5 anos de idade, vem a segunda e mais importante característica do caso em questão. De fato os principais responsáveis são o pai e a madrasta!
Segundo a Reconstituição dos fatos, a perícia criminal encontrou o detalhe que faltava para encerrar os trâmites legais. Na camiseta que Alexandre Nardoni vestia na noite do crime, encontraram marcas da tela de proteção que o mesmo havia cortado com uma tesoura e arremessado a menina.
Outra vez, a opinião pública entra em colapso buscando entender a seqüência dos fatos. Assim, se perguntam: Por que um pai faria isso com um filho? Será que pelo fato de Ana Carolina Jatobá não ser a mãe da menina, ela poderia ter cometido este crime? E, ainda, se questionam sobre o comportamento da menina em companhia de seus pais e voltam a pensar sobre os motivos que levaram a tal acontecimento.
Em relação a este caso, é notório o reforço de uma identidade social. Existe uma união em torno de um mesmo assunto, um agrupamento de pessoas no sentido de buscar, de exigir que a justiça seja feita e que os culpados paguem por seus atos.
A sociedade como um todo parece necessitar que fatos como este aconteçam periodicamente para que o sentimento de cidadania venha à tona e auxilie uma massa de pessoas desorganizadas, a crescer como classe em busca de um ideal comum.
Como num ciclo vicioso, a sociedade pode ou não se organizar de acordo com as características e nuances dos fatos sociais.

criado por tiora
15:21:40Já pensou em passar um dia todo sem fazer nada? E se, em algum momento não quiser pensar em mais nada por algumas horas ou dias? Será condenado por Deus, ou simplesmente sofrerá as sanções do preconceito vindo de uma sociedade hipócrita e burocratizada?
Sofremos este tipo de represália pois, o sistema Capitalista de produção, aquele em que a lógica predominante é a conservação da propriedade privada e a busca intensa por lucros, possui seus fundamentos arraigados na Ética Protestante, mais especificamente no Calvinismo.
Os fundamentos que norteiam a religião criada por João Calvino, diz que as habilidades humanas devem ser percebidas como dádiva divina e por isso precisam ser incentivadas. A obtenção do lucro, seria apenas uma conseqüência – permitida – por Deus. No momento em que deixamos de aplicar nossas habilidades, segundo esta doutrina, abandonamos o direito de ser filho de Deus, e mais que isso, passamos a sofrer poderosas sanções da igreja e de seus fiéis.
No sentido de compreender a lógica implícita na relação entre moral religiosa e ética econômica, o alemão Max Weber, publica a obra escrita em meados de 1904 e 1905, intitulada: “Ética protestante e o espírito capitalista”, buscando o elo que proporciona esta união.
O capitalismo moderno e, segundo muitos economistas, mais próximo do ideal, começa com a Revolução Industrial e as chamadas revoluções "burguesas", ou seja, a Revolução Gloriosa inglesa, a Independência dos EUA e a Revolução Francesa.
O Sistema de produção em questão, como uma poderosa bactéria, se alastrou por todo mundo com uma velocidade insuperável. O Capitalismo demonstra seu poder nos pequenos detalhes do dia-a-dia, como por exemplo, na falência de uma micro-empresa, na relação oferta e procura e na existência das propriedades privadas. Ele impõe o ritmo de nossas vidas, ditando regras e fazendo exigências.
Mesmo entre os cientistas sociais mais otimistas, a possibilidade da extinção deste sistema de produção chega quase ao nível do impossível, por que nós, consumidores, contribuímos com o fortalecimento desta doutrina econômica.
Em outras palavras, o Capitalismo vive porque não abdicamos de nossas residências, não conseguimos superar o consumismo, enfim, não conseguimos encontrar outra forma de sobreviver sem ser na relação explorado e explorador, proprietário e trabalhador.
Todas nossas escolhas e atitudes têm, embutido na memória, características discursadas por esse sistema, o que fica evidenciado em frases como “o trabalho enobrece o homem”, ou “Mente vazia, oficina do diabo”, as quais, possuidoras de uma moral/religiosa, demonstram o poder que estas idéias econômicas tinham e ainda têm em nosso cotidiano.
É necessário que tenhamos em mente o poder castrador que o Sistema Capitalista de Produção possui. É ainda mais importante que, na medida do possível, busquemos encontrar soluções para impedir, que, num futuro próximo, a extinção dos nomes próprios, sejam trocados por uma numeração dada a cada indivíduo no momento de seu nascimento como uma mercadoria nas prateleiras do supermercado.

criado por tiora
06:52:07
“É... os tempos mudaram, na minha época podíamos andar nas ruas sem nenhuma preocupação”. Quem é que nunca escutou seu avô dizer essa frase com pesar nos olhos seguido por uma centena de comparações saudosistas. Como ele, muitas pessoas sentem saudades dos velhos tempos e buscam reviver antigos modos de ser e agir. 
criado por tiora
17:36:46
criado por tiora
17:33:49Os meios de comunicação de massa, especialmente aqueles que utilizam imagens como forma de divulgação de notícias, ou seja, os jornais televisivos, cotidianamente invadem lares de milhões de brasileiros, transmitindo, acima de tudo, ideologias.
Formas de agir e pensar são minuciosamente calculadas, editadas, transformadas de modo que toque públicos alvos previamente determinados.
Além de realizar a importante atividade de informar, muitos jornais televisivos deturpam o verdadeiro sentido da informação, ou seja, comunicar, transformando-se em formador de opiniões.
Notamos um bom exemplo ao analisar os índices de violência do Brasil. A Secretaria de Segurança Pública fornece dados estatísticos evidenciando que de 2003 para 2004 os índices de violência caíram na proporção de 18%, contrariando o sentimento geral da população. O fato é que muitas das notícias de violência sofrem contribuições generosas das edições gráficas voltadas ao sensacionalismo.
A divulgação de notícias sofre grandes alterações no formato de sua apresentação, o que de certa forma leva a absorção apenas de partes recortadas de cada notícia, impedindo que a opinião pública tenha contato com as informações em sua forma integral. Idéias e opiniões são, desta forma, idéias e opiniões de um dado jornal e não mais de um indivíduo, pois se faz necessário a obtenção de um grande leque de informações, uma boa dose de reflexão, para só assim a opinião ser individual, original.
É evidente que não nos cabe o papel de demonisar os jornais televisivos, mas a cada dia que passa números cada vez mais assombrosos de informações chegam até nós, leitores. O que nos cabe enfim, é filtrar cada mínima informação, cada pequeno detalhe para que descartamos a borra de nossas opiniões.

criado por tiora
17:13:54