Críticas sem medo

Poesias, Crônicas, Artigos sobre todos os tipos de assuntos e notícias. Busco lapidar a revolta com palavras que expressem meus pensamentos a todos tipos de leitores. Muitas vezes não consigo e acabo deixando que a revolta e indignação tome conta do

Críticas sem medo

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Terra Blog

Categoria: SOCIEDADE

04.05.08

O CAOS PODE ORGANIZAR A SOCIEDADE CIVIL?

Alguns fatos, mesmo que aparentemente isolados, contribuem para a manutenção da organização social. Catástrofes climáticas, quedas de aeronaves, grandes acidentes rodoviários, enfim, existe uma enorme quantidade de acontecimentos que mobilizam a sociedade quase que completamente.
O último e mais globalizado fato ocorreu no Edifício London na cidade de São Paulo quando uma garota foi atirada do 6º andar. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, os principais responsáveis são o pai, Alexandre Nardoni e a madrasta de Isabella, Ana Carolina Jatobá.
É impressionante a fragilidade existente entre o caos e a sociedade. Uma tênue linha separa os extremos e, dentro desta, encontramos as variações, distúrbios e mutações que compõem um estranho e complexo mundo.
Nossa civilização já experimentou a total ausência de parâmetros sociais que, com o passar dos anos e com a evolução humana, se tornou possível como civilização após guerras catastróficas. Como a idéia de cidadão foi conquistada à duras penas, é necessário o empenho geral para que este título continue se mantendo válido.
O caso da menina Isabella possui vários fatores de aglutinação e comoção social. Por exemplo, o fato de ter sido uma garota de 5 anos. Quantos e quantos pais de família pensaram na possibilidade de aquela criança estirada no chão ser algum de seus filhos? Ou, ainda, quantas pessoas pensaram na injustiça de se tirar a vida de um indivíduo que mal começou a viver?
Diante de questões como estas, a opinião pública já se alvoroça e transfere suas sensações e frustrações para aquele momento, para aquele suposto acidente. E isso ocorre no sentido de se tentar compreender o que houve, e assim cada um, neste momento do caso, já possuía uma opinião a respeito.
Após a constatação de que o fato ocorrera com uma criança de 5 anos de idade, vem a segunda e mais importante característica do caso em questão. De fato os principais responsáveis são o pai e a madrasta!
Segundo a Reconstituição dos fatos, a perícia criminal encontrou o detalhe que faltava para encerrar os trâmites legais. Na camiseta que Alexandre Nardoni vestia na noite do crime, encontraram marcas da tela de proteção que o mesmo havia cortado com uma tesoura e arremessado a menina.
Outra vez, a opinião pública entra em colapso buscando entender a seqüência dos fatos. Assim, se perguntam: Por que um pai faria isso com um filho? Será que pelo fato de Ana Carolina Jatobá não ser a mãe da menina, ela poderia ter cometido este crime? E, ainda, se questionam sobre o comportamento da menina em companhia de seus pais e voltam a pensar sobre os motivos que levaram a tal acontecimento.
Em relação a este caso, é notório o reforço de uma identidade social. Existe uma união em torno de um mesmo assunto, um agrupamento de pessoas no sentido de buscar, de exigir que a justiça seja feita e que os culpados paguem por seus atos.
A sociedade como um todo parece necessitar que fatos como este aconteçam periodicamente para que o sentimento de cidadania venha à tona e auxilie uma massa de pessoas desorganizadas, a crescer como classe em busca de um ideal comum.
Como num ciclo vicioso, a sociedade pode ou não se organizar de acordo com as características e nuances dos fatos sociais.

  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 15:21:40

19.03.08

EXAGEROS RELIGIOSOS

categorias: SOCIEDADE

No Brasil, a fusão entre morais religiosas é um comportamento sócio-cultural característico que ganha contornos cada vez mais amplos. Como em qualquer nação culturalmente complexa, o Brasil, como a África ou a Índia, possui fontes religiosas oriundas dos mais afastados cantos do globo.
A religião evangélica ou protestante, que tem suas origens no Puritanismo, Luteranismo e Anglicanismo, vem conquistando adeptos das mais variadas raças e classes sociais no Brasil e no mundo. Este fato gera inúmeras reações imediatas de outras correntes religiosas, como, por exemplo, as inúmeras manifestações vexatórias, protestos em rádios e programas de TV, atos preconceituosos etc.
Essas reações podem advir do constante processo migratório visualizado em nosso cotidiano. A Igreja Católica perde adeptos para a Evangélica, talvez pelo fato de esta última corrente religiosa exibir construções monumentais para abrigar seus fiéis, incentivar demonstrações públicas de fervor, entre outros fatores.
De acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 73,8% da população brasileira são adeptos do catolicismo, o que não pode ser facilmente percebido, tendo em vista o grande número de pessoas que praticam verdadeiras fusões entre crenças religiosas e filosóficas e os ditos “católicos não-praticantes”.
O Protestantismo, de acordo com o IBGE, possui aproximadamente 26,2 milhões de adeptos. Este número faz-se mais simples de ser apreendido, tendo em vista a intensa e diária demonstração pública de fé.
Um fato polêmico a este respeito ocorreu em “Duas Caras”, telenovela da Rede Globo, no dia 10 de Março de 2008, onde religiosos se rebelaram contra uma pessoa dependente química, um garçom e um homossexual. Susana Ribeiro, no papel de Edivânia, se apresenta como líder do grupo que tinha como missão, a expulsão de Dália, Bernardinho e Heraldo da comunidade chamada Portelinha.
Como uma figura caricaturada, Edivânia representa um personagem de forma exagerada, grotesca, não condizendo com a realidade, segundo o autor de “Duas Caras”, Agnaldo Silva.
Os evangélicos assistiram às cenas apresentadas pela Televisão como um desrespeito aos preceitos religiosos desta corrente filosófica. Realizaram protestos formais contra a transmissão do episódio, numa tentativa de defender a moral religiosa, ora abalada.
Os dois pontos de vista devem ser levados em consideração: de um lado um autor trazendo assuntos variados para discussão, mesmo que de forma exagerada; e de outro um grande grupo de religiosos que se sentiram ofendidos com a transmissão de imagens caricaturadas realizadas pelo elenco da novela em questão.
Quando alguém traz à tona problemas da sociedade, inevitavelmente terá vários obstáculos em sua frente. Como José Padilha com “Tropa de Elite”, Agnaldo Silva não será o último a sofrer represálias.
As demonstrações excessivas não são comuns apenas à comunidade evangélica. Ocorrem também em grupos budistas à exemplo da rebelião ocorrida contra o governo Chinês na noite do dia 18/03, enfim são excessos que ocorrem em todos ambientes de nosso cotidiano.
Exageros permeiam nossas atitudes. Exageros como os realizados pelos evangélicos ao condenarem Agnaldo Silva e como os da personagem de Susana Ribeiro em “Duas Caras”.
Norteando por esta linha de raciocínio, porque será então que a comunidade homossexual, e Sindicato dos Garçons, não se opuseram à transmissão da cena em questão? Será que eles perceberam que as novelas têm por intuito demonstrar histórias lúdicas, transportando o telespectador para uma dimensão hipotética da realidade?

  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:10:28

08.01.08

PAPAI NOEL NÃO VAI A ÁFRICA

categorias: SOCIEDADE

Quase 50% dos 924,5 milhões de habitantes da África vivem com menos de 1 dólar ao dia, abaixo do nível de pobreza definido pelo Banco Mundial. Digo isso não apenas para expor a preocupante situação da pobreza do povo africano, mas também para justificar minha total aversão ao Natal.
Temos a percepção de que o Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, pois não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV que o 25 de dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração. Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal.
Particularmente o Natal nunca “me fez a cabeça”. Minha mãe conta que eu tinha medo do Papai Noel, e que quando algum se aproximava, logo começava a chorar. Passei a gostar menos ainda quando cresci e aprendi que o Natal possui suas verdadeiras origens em festas pagãs e que é utilizada, atualmente, como forma de aquecer o mercado e proporcionar descanso aos trabalhadores.
No que diz respeito a figura do Papai Noel, Nicolau de Bari ou Nicolau de Mira, que nasceu na Turquia em 280 d.C, possuía grande generosidade, ganhando assim a reputação de mágico milagreiro e distribuidor de presentes. Filho de família abastada, doou seus bens para os pobres e desamparados. Entretanto, tecia um grande amor pelas crianças e foi através delas que sua lenda se popularizou.
Para muitos, Papai Noel é, como contam as lendas, um bom velhinho que distribuía presentes a todas as crianças. Como podem imaginar, não possuo tão boa percepção desta figura. Imagino um velho chato de tão altruísta, além manipulador, mercenário e, acima de tudo, cruel.
Quantas vezes você desejou muito um presente, pediu ao Papai Noel e nunca recebeu? Quantas crianças vocês acham, que iludidas com a bondade do velhinho, fizeram promessas de serem bons alunos, só para ganhar uma bola ou bicicleta? Quantas famílias vocês acham, que pedem com todo o coração, na noite de Natal um milagre que nunca acontece.
Por mais que a história do Papai Noel incentive a criatividade das crianças, acho muito mais conveniente que elas saibam sobre os Contos de Fadas como Chapeuzinho Vermelho e Saci-Perere do que acreditarem na figura do bom velhinho. Abaixo o Natal e o Papai Noel, não podemos mais deixar nossas crianças crescerem enganadas e prontinhas para a propagação de uma sociedade de consumo.
O Natal movimenta o comércio, traz novidades em todas as áreas e faz com que as pessoas sintam a necessidade de presentear os parentes e comprar algo que os agrade. Como um forte engodo, esta festividade tenta transformar todos nossos problemas e aflições num fato passageiro que é resolvido numa loja bem cheia.
Ao passar o cartão no caixa registradora, nossas angústias logo somem, como se o espírito do natal nos enchesse de paz e fraternidade. Tudo fica “cor-de-rosa” e até os problemas familiares parecem desaparecer. Isso é o Espírito Natalino?
Se esse espírito natalino não chega até as crianças africanas e brasileiras, não temos o que comemorar. Como festejar enquanto crianças morrem subnutridas? Cadê o velhinho humanitário cheio de esperança para dar? Será que ele se escondeu com medo da reprovação de algum político? Ou será ainda que a sociedade moderna festeja uma figura que nós mesmos não deixamos viver?

  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 06:52:52