Críticas sem medo

Poesias, Crônicas, Artigos sobre todos os tipos de assuntos e notícias. Busco lapidar a revolta com palavras que expressem meus pensamentos a todos tipos de leitores. Muitas vezes não consigo e acabo deixando que a revolta e indignação tome conta do

Críticas sem medo

Poesias, Crônicas, Artigos sobre todos os tipos de assuntos e notícias. Busco lapidar a revolta com palavras que expressem meus pensamentos a todos tipos de leitores. Muitas vezes não consigo e acabo deixando que a revolta e indignação tome conta do
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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2006, 05

05.10.06

Sociedade Infantil

categorias: POLÍTICA
O que entendemos hoje por “criança” não equivale ao que as gerações anteriores pensavam a respeito. Atualmente os direitos das crianças, como alimentação adequada, assistência médica e psicológica, moradia, instrução, dignidade, proteção contra perigos morais e físicos, são reconhecidos e assegurados por lei. O Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, vêm para que todos sigam uma mesma linha de pensamento, enquanto ações destinadas à infância.
Diferentes disciplinas científicas se preocupam com a criança, sendo que, em muitos países, o estado se encarrega diretamente da educação e do sustento de sua população infantil. Mas nem sempre foi assim, não só o conceito de criança variou bastante conforme os tempos, como as práticas sociais relativas aos jovens sofreram profundas alterações.
Mesmo com toda legislação e acompanhamento de entidades e órgãos públicos, a infância continua tendo que superar muitos obstáculos na corrida do desenvolvimento pessoal. No decorrer da história moderna, a Violência Doméstica constitui um dos principais atos infracionais previsto pelo estatuto. Milhares de crianças sofrem de maus-tratos todo ano, em geral causados por pais ou familiares.
A Violência Doméstica tem como principais modalidades a Violência Física, Sexual, Psicológica, Fatal e Negligência, e pode ser designada por todo ato ou omissão praticado por pais, parentes ou responsáveis contra crianças e/ou adolescentes que, sendo capaz de causar dano à vítima, implica, de um lado, numa transgressão do dever de proteção do adulto e, de outro, numa negação do direito que crianças e adolescentes têm de ser tratados como sujeitos e pessoas em condição peculiar de desenvolvimento.
Especificamente no Município de São João da Boa Vista/SP, este tipo de violência faz parte do cotidiano de grande parte das crianças e adolescentes que são, imediatamente após as denúncias, encaminhados a entidades de apoio, como, por exemplo, a Casa de Apoio ao Menor Irmã Dulce - CAMID, que atualmente abriga 40 adolescentes e é a única em nossa cidade.
A falta de dados a respeito da situação das crianças e/ou adolescentes vítimas de violência doméstica instala um verdadeiro breu, dificultando o aprimoramento ou a criação de novas políticas públicas sociais. Como este é ano e mês da renovação do conjunto de Conselheiros Tutelares, que têm como uma das atribuições, a criação de condições para a instalação de políticas públicas, fica a cobrança.

  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:37:34

Assim dizia meu Avô

categorias: COTIDIANO
“É... os tempos mudaram, na minha época podíamos andar nas ruas sem nenhuma preocupação”. Quem é que nunca escutou seu avô dizer essa frase com pesar nos olhos seguido por uma centena de comparações saudosistas. Como ele, muitas pessoas sentem saudades dos velhos tempos e buscam reviver antigos modos de ser e agir.
Com a Revolução Industrial, tudo se tornou mercadoria. Fragilmente construídos, os produtos originados desta revolução se transformaram em verdadeiros amontoados recicláveis, o que de certa forma impulsiona o consumismo por produtos tecnologicamente evoluídos. Assim, a modernidade possui faces, ora favoráveis, ora desfavoráveis à qualidade de vida da população em geral.
A medicina alcançou patamares de desenvolvimento inimagináveis há alguns anos atrás; os meios de comunicação encurtaram distâncias levando informações a lugares cada vez mais distantes em alguns segundos; a tecnologia voltada para a produção industrial acelera a níveis espantosos; a pesquisa científico-intelectual analisa, projeta e publica como nunca se viu, mas, de fato os tempos são outros.
Esse mesmo avanço científico/tecnológico que beneficia milhões de pessoas nas áreas da saúde, educação e moradia, por exemplo, provoca direta e indiretamente ações altamente agressivas ao bem estar de qualquer indivíduo.
Com a intensa mecanização do campo e conseqüente êxodo rural, as cidades sofrem inchaços populacionais; as indústrias cada vez mais robotizadas e especializadas, criam uma massa de desempregados que, em busca de sobrevivência, com algumas exceções, cometem crimes e roubam, o que constitui talvez, um dos principais elementos causadores da violência urbana, principal queixa de nossos avós.
De fato os dias são outros, mas o interessante é que cada tempo possui sua graça e beleza, basta que deixemos o caos de lado apenas por alguns minutos.
  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:36:46

O Virus da Copa do Mundo

categorias: ATUALIDADE
Em ano de Copa do Mundo não é a “febre de bola”, ou o “vírus da alegria” que me preocupam. Num ambiente de entusiasmo, euforia e patriotismo exacerbado, milhões de pessoas se divertem assistindo jogos e participando efetivamente do comércio local. É exatamente esse espírito de coletividade que me preocupa, quando a Gripe Aviária ronda limites Alemães, desde 14 de Fevereiro deste ano.
País escolhido para sediar a Copa do Mundo de Futebol de 2006, a Alemanha busca desta forma, apagar o triste passado de violência e segregação racial, étnica e sexual de tempos passados, demonstrando, através do clima amistoso, que o esporte é capaz de minimizar antigas atrocidades e imprimir, quem sabe, um futuro promissor.
A luta, sem dúvida alguma é válida, mas será que o preço não é caro demais? Com a chamada Gripe do Frango se espalhando rapidamente por países próximos ao país da Copa, uma epidemia é questão de tempo. Autoridades alemãs não pensam na possibilidade do cancelamento do evento, tendo em vista o exorbitante capital envolvido, o prestígio que significa sediar esse evento e toda essa euforia que é típico de épocas assim.
É triste pensar que em pleno século XXI, algumas tradições são mantidas às custas da saúde da população local e inevitavelmente mundial, tendo em vista que a Copa do Mundo de Futebol é um evento aguardado por pessoas do mundo todo.
O principal argumento para não se cancelar o campeonato na Alemanha seria o fato de que o H5N1 (vírus da gripe aviária) seria, primeiramente, um vírus exclusivamente de aves, o que não passa de uma tentativa de abafar a realidade dos fatos, tendo em vista que desde Junho do ano passado, 90 pessoas foram infectadas e vieram a óbito na Ásia. O Presidente da FIFA, Júlio Gronden, segue essa mesma linha de argumentação.
O vírus H5N1, o da gripe aviária, infecta humanos á partir do consumo de aves infectadas, sendo que a contaminação de humanos para humanos não foi comprovada. Tal fato não impede que a alimentação de aves infectadas seja preocupante.
Em um ambiente “infectado” com é a Alemanha atualmente, não precisa ser nenhum especialista para perceber que a contaminação de grande parte dos torcedores é inevitável, para não dizer, criminoso.
  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:36:00

Blindagem

categorias: VIOLÊNCIA, ATUALIDADE
Neste último domingo (19), como é de conhecimento geral, o programa “Fantástico” da Rede Globo transmitiu o documentário: “Falcão: Meninos do Tráfico”, realizado em parceria dessa emissora com o cantor de rap MV Bill e seu produtor musical Celso Atayde.
Com o intuito de trazer a temática da violência e do narcotráfico para a pauto do dia, este documentário foi gravado durante seis anos, onde MV Bill e Atayde realizaram entrevistas com traficantes de várias regiões do país, buscando demonstrar a visão desses meninos sobre a vida no tráfico de drogas.
O que diferencia este trabalho de tantos outros voltados para a mesma temática, ou seja, a abordagem utilizada nas gravações, é exatamente o que o torna impactante.
O modo como foi produzido é absolutamente novo e chocante. As palavras possuem valor por si só. O discurso de cada pessoa entrevistada trás à tona, com tanta objetividade, a realidade daqueles indivíduos, transformando as imagens e simples apêndices.
A violência e o tráfico de drogas no Brasil estão diretamente ligados a nosso cotidiano. Todos os dias encontramos notícias sobre esse assunto e com toda certeza nada do que foi dito no documentário soa absolutamente novo. Mas então porque os telespectadores do “Fantástico” ficaram extremamente chocados com aquelas cenas e discursos?
No dia seguinte a exibição das gravações, não houve sequer um jornal seja ele impresso, eletrônico ou televisivo, que não publicou linhas a respeito, e, nas rodas de conversa o assunto era único.
Uma blindagem que insistimos em ostentar é justamente o que nos impede de olhar para quem realmente necessita de nossa ajuda. Ignoramos a existência desses personagens, como que para não nos desviarmos de nosso egocentrismo burguês.
O documentário veio para trazer um certo desconforto em nosso individualismo. Veio para mostrar que não adianta agir como se nada fosse melhorar e anular o voto dizendo que político nenhum faz nada, e simplesmente ficar catatônico olhando a situação se agravar.
  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:35:10

Velha Vitrola

categorias: COTIDIANO
É estranho pensar como moderno e tradicional se mesclam, harmoniosamente ou não, em vários aspectos de nosso cotidiano. Os tempos se fundem e ditam um verdadeiro malabarismo entre high tech, Frost free, MP3 e cadernetas, charretes, coretos e vendedores ambulantes.
Os dias passam e nos obrigam a acompanhar o andamento do desenvolvimento tecnológico. Com esse andar acelerado, colorido e tubular não nos desvencilhamos de práticas muito simples que se arraigaram lentamente em nossos hábitos.
A modernidade que vivemos hoje não pode ser considerada completa, não pode ser designada como prática comum a todos os indivíduos e, talvez, nunca venha a ser. Sempre e em todo lugar alguma atividade tradicional persistirá ao tempo.
Uma das práticas mais expressivas identifiquei na cidade de Franca, capital nacional do calçado masculino, no interior do estado de São Paulo. Lá, cidade altamente industrializada e com o comércio muito desenvolvido, vendedores ambulantes circulam por toda cidade, oferecendo os mais variados produtos.
O caso da pamonha; o carro do picolé, que oferece seis picolés a 1 real; o carro das roupas, com 3 meias a 1 real; o carro do conserto de panelas; o carro que compra sucata e paga à vista; o carro do churros e os populares picolezeiros e gazeiros, são alguns dos exemplos.
Em diversas outras cidades, essa mesma realidade é reproduzida com meios de transporte, produtos e sotaques diferentes, mas que fundamentalmente resistem às pressões impostas pela modernidade e pelo crescente consumismo.
Como estratégia de marketing, comerciantes de grandes metrópoles, como São Paulo, por exemplo, modernizam seus estabelecimentos com aparelhos de ar-condicionado, monitoramento por câmeras e sistema informatizado, que permite que o consumidor realize compras pela internet e as receba em casa, no entanto, não abrem mão da velha e boa caderneta de compras, o que transmite aos clientes sentimentos de intimidade e confiança, características típicas de tempos atrás.
A busca pelo tradicional e o anseio por produtos tecnologicamente avançados não possui regras. Em uma mesma casa podemos encontrar uma vitrola ao lado de um aparelho de DVD; um fogão à lenha contrastando com um microondas e uma bicicleta “barra forte” ao lado de motocicletas super potentes.
Infelizmente, o que a modernidade possui de atraente é exatamente sua face mais cruel. O avanço tecnológico que se nutre do escoamento de mercadorias e impõe novas necessidades consumistas, transforma produtos de última geração em objetos frágeis que, após poucos meses de uso, vão para os lixões.
E, enquanto isso, aquela vitrola que passou por diversas gerações tem seu fim como peça de museu, exatamente porque nós, seres humanos, adoramos o verbo ter, possuir.
  • criado por  tiora criado por tiora
  • Postado em 17:33:49