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No Brasil, a fusão entre morais religiosas é um comportamento sócio-cultural característico que ganha contornos cada vez mais amplos. Como em qualquer nação culturalmente complexa, o Brasil, como a África ou a Índia, possui fontes religiosas oriundas dos mais afastados cantos do globo.
A religião evangélica ou protestante, que tem suas origens no Puritanismo, Luteranismo e Anglicanismo, vem conquistando adeptos das mais variadas raças e classes sociais no Brasil e no mundo. Este fato gera inúmeras reações imediatas de outras correntes religiosas, como, por exemplo, as inúmeras manifestações vexatórias, protestos em rádios e programas de TV, atos preconceituosos etc.
Essas reações podem advir do constante processo migratório visualizado em nosso cotidiano. A Igreja Católica perde adeptos para a Evangélica, talvez pelo fato de esta última corrente religiosa exibir construções monumentais para abrigar seus fiéis, incentivar demonstrações públicas de fervor, entre outros fatores.
De acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 73,8% da população brasileira são adeptos do catolicismo, o que não pode ser facilmente percebido, tendo em vista o grande número de pessoas que praticam verdadeiras fusões entre crenças religiosas e filosóficas e os ditos “católicos não-praticantes”.
O Protestantismo, de acordo com o IBGE, possui aproximadamente 26,2 milhões de adeptos. Este número faz-se mais simples de ser apreendido, tendo em vista a intensa e diária demonstração pública de fé.
Um fato polêmico a este respeito ocorreu em “Duas Caras”, telenovela da Rede Globo, no dia 10 de Março de 2008, onde religiosos se rebelaram contra uma pessoa dependente química, um garçom e um homossexual. Susana Ribeiro, no papel de Edivânia, se apresenta como líder do grupo que tinha como missão, a expulsão de Dália, Bernardinho e Heraldo da comunidade chamada Portelinha.
Como uma figura caricaturada, Edivânia representa um personagem de forma exagerada, grotesca, não condizendo com a realidade, segundo o autor de “Duas Caras”, Agnaldo Silva.
Os evangélicos assistiram às cenas apresentadas pela Televisão como um desrespeito aos preceitos religiosos desta corrente filosófica. Realizaram protestos formais contra a transmissão do episódio, numa tentativa de defender a moral religiosa, ora abalada.
Os dois pontos de vista devem ser levados em consideração: de um lado um autor trazendo assuntos variados para discussão, mesmo que de forma exagerada; e de outro um grande grupo de religiosos que se sentiram ofendidos com a transmissão de imagens caricaturadas realizadas pelo elenco da novela em questão.
Quando alguém traz à tona problemas da sociedade, inevitavelmente terá vários obstáculos em sua frente. Como José Padilha com “Tropa de Elite”, Agnaldo Silva não será o último a sofrer represálias.
As demonstrações excessivas não são comuns apenas à comunidade evangélica. Ocorrem também em grupos budistas à exemplo da rebelião ocorrida contra o governo Chinês na noite do dia 18/03, enfim são excessos que ocorrem em todos ambientes de nosso cotidiano.
Exageros permeiam nossas atitudes. Exageros como os realizados pelos evangélicos ao condenarem Agnaldo Silva e como os da personagem de Susana Ribeiro em “Duas Caras”.
Norteando por esta linha de raciocínio, porque será então que a comunidade homossexual, e Sindicato dos Garçons, não se opuseram à transmissão da cena em questão? Será que eles perceberam que as novelas têm por intuito demonstrar histórias lúdicas, transportando o telespectador para uma dimensão hipotética da realidade?
criado por tiora
17:10:28